candidatos elegíveis
Em Portugal, seguem-se as indicações científicas internacionais sobre os casais que podem recorrer à FIV, desde que enquadradas na Lei nº 32/2006, que regula as técnicas de procriação medicamente assistida. Cada clínica tem a sua conduta de actuação e de indicação terapêutica, baseada nos conhecimentos e práticas da comunidade científica nacional e internacional, salvaguardando o resultado dos ciclos de tratamento e os interesses do casal. Em alguns países, existem directrizes de actuação decretadas por conselhos científicos nacionais ou pelos próprios governos.
Poderão ser candidatos elegíveis para FIV indíviduos nas seguintes situações:
Patologia das trompas
Se ambas as trompas de Falópio se encontrarem totalmente obstruídas, a FIV é imediatamente recomendada. Se a função tubária for deficiente, a FIV poderá ter indicação após outros tratamentos.
Endometriose
Dependendo da gravidade da doença, poderá ser recomendado, em primeiro lugar, um tratamento farmacológico ou cirúrgico. A FIV é admissível se o tratamento não resultar numa gravidez. No caso de formas ligeiras de endometriose, são aplicáveis as indicações relativas à infertilidade inexplicada.
Infertilidade masculina
A ICSI tem indicação em casos de infertilidade masculina. Em casos menos graves, poderá recorrer-se à FIV após um determinado número de ciclos de inseminação intra-uterina.
Desequilíbrios hormonais
Apenas quando outros tratamentos não tenham conduzido a uma gravidez.
Infertilidade inexplicada
Após, pelo menos, três anos de tentativas de concepção e após um determinado número de tratamentos de inseminação intra-uterina. Se a mulher tiver 36 anos ou mais, é possível recorrer à FIV numa fase mais precoce.
Anomalias do muco cervical
Depois do fracasso de tratamentos de inseminação intra-uterina.
O principal motivo para autorizar um casal a recorrer à FIV numa fase mais precoce é a idade da mulher: as probabilidades de engravidar diminuem rapidamente após os 35 anos e, com elas, as probabilidades de sucesso da FIV.
O médico que tratar o casal decidirá se a FIV é um tratamento adequado e quando deverá ser iniciado. O rigor na selecção justifica-se pelo facto de a FIV ser um tratamento invasivo e intensivo, que implica alguns riscos.
Em que casos a FIV não faz sentido?
Idade – A taxa de sucesso de um tratamento de FIV diminui com a idade. À medida que a mulher envelhece, existe um risco acrescido de os ovários já não reagirem como esperado à estimulação. Este risco pode ser avaliado com base nos resultados de análises ao sangue, nomeadamente para determinação dos níveis de FSH. Além disso, com a idade, a qualidade dos óvulos diminui e o risco de aborto espontâneo aumenta. É por este motivo que, normalmente, as mulheres com mais de 40 anos poderão não ser elegíveis para um tratamento de FIV.
Peso – A obesidade afecta não só a fertilidade como também a saúde em geral e, consequentemente, uma possível gravidez. Além disso, num tratamento de FIV, é necessário poder ter acesso aos ovários para realização da punção. Por vezes, este procedimento é extremamente difícil em mulheres obesas. Por conseguinte, nalguns casos, a mulher tem de perder peso antes de um possível tratamento.
Qualidades do esperma – As limitações causadas por anomalias relacionadas com a qualidade do esperma são agora muito menores, graças à ICSI.
Gravidez – A mulher tem de ter capacidade para levar uma gravidez a bom termo.
A clínica de FIV em causa analisará cuidadosamente a situação do casal e decidirá então se o tratamento de FIV é ou não admissível nesse caso.