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probabilidades de uma gravidez múltipla

Os tratamentos de infertilidade visam aumentar a probabilidade de concepção. Em Portugal, a política em matéria de tratamentos de infertilidade visa, no entanto, evitar gravidezes múltiplas.

A gravidez múltipla comporta um risco acrescido para a mãe e o bebé. Em comparação com uma gravidez simples, o risco é ligeiramente maior no caso de gémeos, aumentando drasticamente com três bebés ou mais. O risco de parto prematuro e de baixo peso à nascença, por exemplo, é significativamente maior numa gravidez múltipla do que numa gravidez simples ou com dois gémeos. Consequentemente, o risco de complicações e deficiência dos recém nascidos é também maior. É por este motivo que é tão importante evitar a ocorrência de múltiplos (sobretudo mais do que dois gémeos).

A definição do equilíbrio adequado entre a maximização das probabilidades de gravidez, por um lado, e a minimização do risco de uma gravidez múltipla, por outro, constitui ainda um dilema. Uma vez que o objectivo dos casais que se submetem a um tratamento de fertilidade é ter um ou mais filhos saudáveis, a assumpção de riscos demasiado elevados durante esse tratamento pode ser, infelizmente, contraproducente.

As probabilidades de uma gravidez múltipla na sequência de um tratamento de infertilidade dependem, entre outros factores, do tipo de tratamento e das decisões tomadas pelo casal.

Estimulação ovárica

Os tratamentos que implicam a administração de fármacos que estimulam a maturação de vários folículos aumentam as probabilidades de uma gravidez múltipla. Por este motivo, as mulheres são objecto de um rigoroso acompanhamento durante o tratamento, realizando ecografias com sonda endovaginal. Se os ovários tiverem uma reacção excessiva, resultando na maturação de demasiados folículos, o tratamento pode ser interrompido para impedir a mulher de engravidar naquele mês devido ao risco de gravidez múltipla. O número máximo de folículos considerado aceitável em termos médicos é variável, dependendo de factores como o tipo de tratamento e a causa do problema de fertilidade. Esta questão é normalmente discutida com o casal. No caso da estimulação ligeira, o número de folículos considerado aceitável será normalmente dois ou, no máximo, três. Neste cenário, é muito difícil controlar o número de potenciais fertilizações.

Tratamento de FIV e de ICSI

Nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV), o risco de uma gravidez múltipla é, em princípio, mais fácil de controlar porque depende do número de embriões transferidos para o útero. Por este motivo, nalguns países Europeus foi adoptada uma política de transferência de embriões. Quando são transferidos dois embriões, o risco de gémeos é aproximadamente de 25%. Existe também um pequeno risco de trigémeos – um dos embriões pode dividir-se espontaneamente em gémeos monozigóticos. Porém, a probabilidade de tal acontecer com ambos os embriões – dando origem a quadrigémeos – é mínima.

Nalguns países, caso o número de múltiplos em causa seja muito elevado, o casal tem, por vezes, a oportunidade de “reduzir” o número de embriões. Este procedimento designa-se por redução selectiva e representa invariavelmente uma decisão muito difícil para o casal. É realizado logo que tecnicamente possível para minimizar os riscos – geralmente entre as 9 e as 12 semanas. O método mais comum consiste em introduzir uma agulha, guiada com ajuda de uma ecografia, directamente no(s) saco(s) embrionário(s) que foi decidido interromper o desenvolvimento.  Seguidamente, é injectada uma solução química no feto, que interrompe imediatamente os batimentos cardíacos. O feto é normalmente reabsorvido pelo organismo da mãe, embora possa ser também expelido de forma semelhante a um aborto espontâneo. Apesar de a redução selectiva melhorar as hipóteses de sobrevivência dos restantes fetos, também comporta os seus riscos. É importante consultar um bom obstetra, que aconselhará e apoiará o casal na sua decisão, tendo em conta os riscos da sua situação concreta.

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